GOVERNO DE ALAGOAS

AL realiza o 3º transplante de fígado

Transplante ocorreu na Santa Casa de Maceió e receptor passa bem

Por Bia Alexandrino em 03/12/2021 às 22:30:50

Divulgação

Depois de oito horas de cirurgia bem sucedida na Santa Casa de Maceió, na tarde da quinta-feira (2), um adolescente de apenas 16 anos, residente na capital alagoana, recebeu um fígado captado no estado da Paraíba. Esse é o terceiro transplante de fígado realizado em Alagoas desde o credenciamento do Estado para realiza√ß√£o desse tipo de procedimento, em abril de 2020.

O paciente sofria de cirrose criptog√™nica, termo usado para cirrose de etiologia desconhecida. Atualmente o paciente encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi extubado e o fígado est√° fluindo bem. O doador era um jovem de 21 anos de idade, vítima de um acidente na Paraíba. A cirurgia de alta complexidade, financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), terminou sem intercorr√™ncias e foi coordenada pelo médico Oscar Ferro, que atuou com os médicos F√°bio Mour√£o, Felipe Augusto, Leonardo Soltinho, Amanda Lyra, Larissa Borges, Cira Queiroz, além da equipe da UTI e da Enfermagem.

O paciente se inscreveu na lista de transplantes no dia 5 de julho deste ano e quase cinco meses depois conseguiu realizar o procedimento na Santa Casa de Maceió, hospital credenciado pelo Ministério da Saúde (MS). A lista de transplantes é única, tem ordem cronológica de inscri√ß√£o e os receptores s√£o selecionados para receber os órg√£os em fun√ß√£o da gravidade ou compatibilidade sanguínea e genética com o doador.

A coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, fez um agradecimento. "Nós estamos muito felizes e agradecidos a Deus e à família doadora por esse momento ter se concretizado. H√° também um sentimento de muita gratid√£o por todos os profissionais que se envolvem nesse processo. E tudo isso foi possível gra√ßas à uni√£o de v√°rios esfor√ßos e sempre com o apoio do nosso gestor maior, que é o nosso secret√°rio de Saúde, Alexandre Ayres", ressaltou.

Daniela Ramos explicou um pouco sobre a capta√ß√£o do órg√£o, que deve ser feita de maneira muito √°gil. "Nós aqui da Central de Transplantes do Estado somos respons√°veis por organizar e agilizar toda essa logística junto à Coordena√ß√£o Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. Tivemos a parceria da FAB [For√ßa Aérea Brasileira] que veio aqui no nosso Estado e que levou a nossa equipe de capta√ß√£o. Nós temos uma equipe de capta√ß√£o à disposi√ß√£o. Ent√£o, sempre que h√° uma doa√ß√£o autorizada, essa equipe est√° disponível para realizar essa capta√ß√£o. E, dessa vez, foi uma capta√ß√£o fora do Estado", relatou.

Órg√£o foi captado na Paraíba e trazido para Alagoas em avi√£o da FAB

O secret√°rio de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, comemorou, na manh√£ dessa quinta-feira (2) o início da cirurgia e pediu ora√ß√Ķes para o paciente. "Estamos realizando o 3¬ļ transplante de fígado da história de Alagoas, todos este ano! Desta vez, o paciente tem somente 16 anos e vinha sofrendo muito com problemas hep√°ticos. A nossa equipe de profissionais, em parceria com a Santa Casa de Maceió, est√° lutando pela vida dele", disse Ayres, acrescentando que, "gra√ßas a Alagoas ter sido habilitado para a realiza√ß√£o do transplante de fígado, os alagoanos n√£o precisam mais se deslocar para outros estados em busca do procedimento", salientou.

Transplante de Órg√£os – O doador vivo pode doar um rim, medula óssea, parte do fígado (em torno de 70%) e parte do pulm√£o (em situa√ß√Ķes excepcionais). J√° um único doador falecido pode salvar mais de oito vidas, podendo doar cora√ß√£o, pulm√£o, fígado, os rins, p√Ęncreas, córneas, intestino, pele, ossos e v√°lvulas cardíacas.

No Brasil, para doar um órg√£o basta comunicar à família sobre o desejo de ser doador para que a família possa autorizar posteriormente. Mas a recusa familiar ainda é alta e se torna um dos principais motivos para que um órg√£o no Brasil n√£o seja doado: mais de 43% das famílias recusaram a doa√ß√£o de órg√£os de seus parentes após morte encef√°lica comprovada, em 2020, segundo dados da ABTO. Em Alagoas esse número est√° em 40%.

Importante ressaltar que, no Brasil, anualmente, em média, 12 mil pessoas apresentam morte cerebral, um dos critérios para a doa√ß√£o de órg√£os. Desse número, aproximadamente 6 mil pessoas poderiam ser doadoras de órg√£os. Por outro lado, em média 23.800 pessoas t√™m a necessidade de receber um transplante a cada ano. Portanto, a chance de que alguém seja doador de órg√£os é quatro vezes menor do que a chance de que venha a precisar de um transplante.

Segundo o Ministério da Saúde (MS) do total de transplantes realizados no País, 96% s√£o feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Orienta√ß√Ķes sobre transplante de órg√£os –

– No Brasil, para ser um potencial doador de órg√£os, basta comunicar a família sobre o desejo, n√£o sendo mais obrigatório deixar isso registrado na Carteira de Identidade.

– Para ser realizado o transplante de órg√£os, além da autoriza√ß√£o familiar, precisa ser constatada a morte encef√°lica do doador, que é a parada irreversível da fun√ß√£o do encéfalo, ou seja, é quando o cérebro para de funcionar. A morte cerebral permite a doa√ß√£o de órg√£os e tecidos, mas a morte cardíaca, só a doa√ß√£o de tecidos.

– Qualquer pessoa pode ser doadora, exceto os portadores de doen√ßas infecciosas ativas ou de c√Ęncer. E a doa√ß√£o n√£o desfigura o corpo do doador.

– Para doadores vivos, o doador deve ter mais de 18 anos de idade e o receptor deve ser cônjuge ou parente consanguíneo até quarto grau (pais, filhos, irm√£os, avós, tios ou primos). Se n√£o houver parentesco, ser√° preciso autoriza√ß√£o judicial.

– A doa√ß√£o de órg√£os e tecidos n√£o acarreta nenhum custo ou ganho material à família do doador nem do receptor.

Fonte: alagoas.al.gov.br

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