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CoronaVac tem eficácia contra Ômicron, mostra estudo preliminar

Resultado mostra maior eficácia em comparação à vacinas de mRNA

Por Redação em 13/01/2022 às 22:29:58

Um estudo realizado por pesquisadores de universidades chinesas e publicado na última segunda-feira (10) na revista Emerging Microbes & Infections, aponta que a vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chin√™s Sinovac, tem efetividade na neutraliza√ß√£o da variante Ômicron. O estudo ainda √° preliminar. Apesar de j√° ter sido publicado e passado por revis√£o de pares, o artigo médico-científico contém dados observados em laboratório, o que ainda n√£o demonstra se h√° a mesma efetividade na popula√ß√£o em geral.

Para o estudo, os pesquisadores usaram pseudovírus contendo a proteína Spike de sete variantes do vírus Sars-CoV-2: Ômicron, Alpha, Beta, Gama, Delta, Lambda e Mu. Um pseudovírus é uma partícula viral que possui todas as propriedades do vírus, com a diferen√ßa de que ele n√£o infecta as células. Os pseudovírus foram utilizados na pesquisa por permitir uma manipula√ß√£o mais segura em laboratório.

No experimento foi utilizado plasma sanguíneo de pessoas vacinadas com a CoronaVac e também de pessoas com infec√ß√£o prévia. Essas amostras s√£o ent√£o infectadas com os pseudovírus que carregam a proteína Spike das variantes.

O teste consiste em checar se anticorpos gerados em decorr√™ncia da vacina v√£o neutralizar, ou seja, combater o vírus nesse cultivo. O resultado é ent√£o comparado com a capacidade de neutraliza√ß√£o dos anticorpos da linhagem de vírus que circulava no início da pandemia.

Os testes de neutraliza√ß√£o conseguem avaliar a capacidade dos anticorpos de erradicar o vírus, mas n√£o medem outros aspectos de defesa do organismo, como por exemplo a memória do sistema imunológico.

O que diz o estudo

Após produzidos os pseudovírus das sete variantes, pesquisadores analisaram anticorpos neutralizantes de 16 pessoas convalescentes de covid-19 e também de 20 pessoas que haviam tomado duas doses da vacina CoronaVac. O estudo n√£o incluiu pessoas que tomaram doses de refor√ßo.

No caso das pessoas que tiveram a infec√ß√£o prévia, foi observada uma redu√ß√£o de 10,5 vezes da neutraliza√ß√£o contra a variante Ômicron, ou seja, a neutraliza√ß√£o pela Ômicron é 10,5 vezes pior do que para cepa original do novo coronavírus. No caso da Alfa, a redu√ß√£o é de 2,2 vezes; 5,4 vezes contra a Beta; 4,8 vezes contra a Gama; 2,6 vezes contra a Delta; 1,9 vez contra a Lambda; e 7,5 vezes contra a variante Mu.

J√° no teste feito com os anticorpos neutralizantes das 20 pessoas que tinham tomado as duas doses da vacina CoronaVac, a redu√ß√£o de neutraliza√ß√£o média foi de 12,5 vezes sobre a Ômicron; de 2,9 vezes contra a Alfa; 5,5 vezes contra a Beta; 4,3 vezes contra a Gama; 3,4 vezes contra a Delta; 3,2 vez contra a Lambda; e 6,4 vezes contra a variante Mu.

Para os autores do trabalho, essa redu√ß√£o de neutraliza√ß√£o de cerca de 12,5 vezes da CoronaVac frente a Ômicron - que demonstra perda de efetividade da vacina em rela√ß√£o à cepa original - é muito "melhor do que os trabalhos publicados sobre duas doses de vacinas de RNA mensageiro, nas quais foi observada uma diminui√ß√£o de 22 vezes e de 30 até 180 vezes da neutraliza√ß√£o em imunizados com a Pfizer".

Mesmo assim, os autores destacam que a compara√ß√£o dos estudos da CoronaVac com a Pfizer pode ter problemas, j√° que a diferen√ßa encontrada entre eles pode ser atribuída a ensaios diferentes ou amostras diferentes.

"A CoronaVac, ou outras vacinas inativadas, induzem um repertório maior de imunidade contra covid-19. Recentemente, h√° evid√™ncias científicas de que a capacidade de neutraliza√ß√£o da CoronaVac contra a variante Ômicron é maior do que a capacidade das vacinas baseadas em proteína S. A consequ√™ncia disso é que as vacinas inativadas, como a CoronaVac, resistem mais às variantes", disse Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan.

Para especialistas que leram o estudo publicado na revista científica, ainda faltam dados para que seja possível afirmar que duas doses da CoronaVac seriam suficientes para neutralizar a Ômicron. Eles destacam que faltam dados, por exemplo, de resposta celular. Eles também lembram que o resultado observado com anticorpos neutralizantes nem sempre corresponde ao que é observado em cen√°rios epidemiológicos reais.

Todas as vacinas aprovadas até este momento foram desenvolvidas para combater apenas a cepa original do SarS-CoV-2, que surgiu inicialmente na China. Todas elas apresentam, em maior ou menor grau, queda de efic√°cia em rela√ß√£o às variantes.

Vacinação

Independentemente do resultado desse estudo, especialistas lembram que vacinas salvam vidas. Ontem (12), em entrevista coletiva, o coordenador executivo do Centro de Conting√™ncia do Coronavírus em S√£o Paulo, Jo√£o Gabbardo, disse que as vacinas que est√£o sendo aplicadas em todo o mundo ajudam a prevenir mortes e hospitaliza√ß√Ķes por covid-19.

Segundo ele, a variante Ômicron, que fez os casos de covid-19 explodirem em todo o mundo, tem sido, no geral, uma pandemia de n√£o vacinados. "Estamos enfrentando uma pandemia dos n√£o vacinados. E, quando se fala dos n√£o vacinados, estamos falando das pessoas com mais de 18 anos que n√£o completaram o seu esquema vacinal e das crian√ßas que ainda n√£o foram vacinadas. Esses dois segmentos é que s√£o respons√°veis por esse acréscimo no número de interna√ß√Ķes e de casos", disse ele. "Quando dizem que esta variante é inofensiva, que os casos s√£o leves, temos que levar em considera√ß√£o que isso é resultado da vacina√ß√£o. O número de pessoas que ainda se infectam é muito elevado. E interna√ß√Ķes, embora n√£o sejam t√£o graves, s√£o muito elevadas", falou Gabbardo.

Resposta imunológica

O Instituto Butantan divulgou que um outro estudo, feito no Chile e que ainda n√£o foi publicado, demonstrou que tr√™s doses da CoronaVac foram capazes de refor√ßar a resposta imunológica celular contra a variante Ômicron.

"Os primeiros resultados que obtivemos s√£o respostas celulares, que s√£o células chamadas linfócitos T, que reconhecem antígenos de coronavírus. Fomos capazes de medir a capacidade de reconhecimento e de resposta imune em amostras obtidas de pessoas vacinadas com duas doses da CoronaVac, mais a dose de refor√ßo, e detectamos um nível significativo de reconhecimento da proteína S da variante Ômicron", disse o pesquisador Alexis Kalergis, diretor do Instituto Mil√™nio de Imunologia e Imunoterapia, professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile, em entrevista à R√°dio Pauta.

Para a pesquisa, foi analisado um grupo de 24 pessoas com ciclo vacinal completo feito com a CoronaVac e que haviam recebido uma dose de refor√ßo do mesmo imunizante após seis meses. Amostras de sangue dos vacinados foram avaliadas em laboratório para verificar a capacidade específica dos linfócitos T em identificar cepas da variante Ômicron. "Esses linfócitos T t√™m a capacidade de reconhecer células infectadas para elimin√°-las. Para conseguir isso, os linfócitos T também devem produzir uma molécula antiviral chamada interferon gama e nossos resultados mostram que essa molécula foi efetivamente produzida", disse o pesquisador chileno.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Fonte: Agência Brasil

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