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Covid-19: entidades destacam importância de higienização bucal

A ciência já identificou a boca como porta de entrada de microrganismos que podem causar diversos tipos de doenças, em especial pulmonares e cardíacas

Por Redação em 04/04/2021 às 19:57:27

A ci√™ncia j√° identificou a boca como porta de entrada de microrganismos que podem causar diversos tipos de doen√ßas, em especial pulmonares e card√≠acas. Segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e a Associa√ß√£o de Medicina Intensiva Brasileira (Amibi), a falta de higiene bucal também pode potencializar os efeitos da covid-19 no organismo, uma vez que é grande a replica√ß√£o do v√≠rus em gl√Ęndulas salivares, l√≠ngua e saliva.

Diante dessa constata√ß√£o, as duas entidades criaram um manual com procedimentos a serem adotados para a higieniza√ß√£o bucal de pacientes internados em unidades de terapia intensivas (UTIs). A limpeza é feita com a ajuda de uma subst√Ęncia que, por meio de oxida√ß√£o, reduz as colônias de microrganismos na boca.

"Esse tipo de procedimento j√° vinha sendo adotado para preven√ß√£o de pneumonias causadas por outros microrganismos, como bactérias, tanto em pacientes entubados quanto naqueles em que foi necess√°rio fazer procedimento de traqueostomia, reduzindo significativamente os casos de contamina√ß√£o. Agora, estamos adaptando aos pacientes ligados à ventila√ß√£o mec√Ęnica por causa da covid-19", disse à Ag√™ncia Brasil o coordenador da Comiss√£o de Odontologia Hospitalar do CFO, Keller De Martini.

O manual desenvolvido pelo CFO e pela Amibi foi criado a partir da revisão de artigos científicos que abrangem "os principais pontos exitosos para a implementação desse tipo de procedimento", explica a presidente do Departamento de Odontologia da Amibi, Alessandra Figueiredo de Souza.

De acordo com a cirurgi√£ dentista do Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN), em Belo Horizonte (MG), até o momento, por causa da alta demanda de profissionais em meio à pandemia, n√£o h√° estudos finalizados que comprovem cientificamente os bons resultados obtidos a partir da aplica√ß√£o desse procedimento em pacientes com o novo coronav√≠rus. "Mas, historicamente, esse protocolo tem reduzido entre 50% e 60% as demais contamina√ß√Ķes por pneumonias como as bacterianas", disse.

Atuando na linha de frente de combate à pandemia, Keller De Martins diz perceber que a ado√ß√£o desse protocolo tem apresentado ótimos resultados, com cerca de 40% dos pacientes entubados apresentando alguma melhora. "É algo a ser comemorado se considerarmos que cerca de 80% dos pacientes que v√£o para UTIs devido à covid-19 acabam indo a óbito, e que a sobrevida dos demais acaba, em muitos casos, apresentando sequelas", argumenta.

Segundo o cirurgião dentista, boa parte dos hospitais já adota o protocolo. Ele, no entanto, reforça a urgência de que o procedimento seja adotado em todas as UTIs, como forma de minimizar as taxas de mortes.

"É fundamental que os hospitais tenham cirurgi√Ķes dentistas em suas equipes multidisciplinares de enfrentamento à covid-19. De prefer√™ncia, profissionais com habilita√ß√£o em odontologia hospitalar", diz a presidente da Amibi, ao sugerir que, caso os hospitais precisem de ajuda para a implementa√ß√£o desse protocolo, entrem em contato com entidades de classe como o CFO e a Amibi.

Higienização

De Martini e Alessandra acrescentam que a higieniza√ß√£o bucal é indicada também para os casos em que a doen√ßa n√£o esteja em sua vers√£o mais grave, de forma a reduzir a carga viral no organismo.

"Defendemos, inclusive, que mesmo pessoas n√£o contaminadas tenham bastante aten√ß√£o com a higieniza√ß√£o bucal, escovando inclusive a l√≠ngua", acrescenta Martini, do CFO, ao sugerir também o uso de antisséptico bucal. "Lembre-se: a principal entrada desse v√≠rus é via aérea, percorrendo a cavidade bucal".

Os dois cirurgi√Ķes dentistas ouvidos pela Ag√™ncia Brasil est√£o atuando na linha de frente de combate à pandemia. Ambos se dizem perplexos ao verem tantas pessoas despreocupadas com o que est√° acontecendo, a ponto de n√£o usarem m√°scara inclusive em ambientes com aglomera√ß√£o.

"Vemos equipes que trabalham constantemente, inclusive colocando a própria vida em risco para salvar vidas. H√° médicos que est√£o morando no hospital para se dedicarem integralmente a essa luta, porque o n√ļmero de profissionais à disposi√ß√£o nas UTIs é insuficiente", disse De Martini.

Mortes

"Além disso, h√° também outros profissionais fundamentais para essa luta [nos hospitais]. Seja na √°rea de limpeza, seja na de seguran√ßa; fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas. Cada um fazendo sua parte. É, de fato, muito frustrante vermos, quando nos deslocamos para recarregar baterias em nossas casas, tanta ignor√Ęncia nas ruas e tantas pessoas dizendo que essa doen√ßa é uma inven√ß√£o". "A verdade é que essa doen√ßa est√° matando cada vez mais e dilacerando um n√ļmero cada vez maior de fam√≠lias", completou.

Fonte: Agência Brasil

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