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Doação de Órgãos: Cada doador pode salvar até oito vidas

Somente em Alagoas, 324 pessoas aguardam por córneas, 121 por rim, três por coração e uma por fígado. São 449 vidas aguardando a conscientização e o respeito ao desejo do doador

Por Thallysson Alves em 27/09/2021 às 20:22:56

Carla Cleto

Imagine, como último ato de solidariedade, poder salvar até oito vidas. É exatamente isso que acontece quando uma pessoa se declara doador de órg√£os e concretiza este ato de amor. Para conscientizar a popula√ß√£o, uma série de a√ß√Ķes foi realizada este m√™s. pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), por meio da Central de Transplantes de Alagoas. E, nesta segunda-feira (27), Dia Nacional do Doador de Órg√£os, bal√Ķes foram soltos em frente ao Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.

Apesar do Brasil, segundo o Ministério da Saúde, ocupar a segunda posi√ß√£o entre os países que mais realizam transplantes, atr√°s apenas dos Estados Unidos, continuamos, ainda, com milhares de brasileiros aguardando pela oportunidade de receber um transplante. Somente em Alagoas, 324 pessoas aguardam por córneas, 121 por rim, tr√™s por cora√ß√£o e uma por fígado. S√£o 449 vidas aguardando a conscientiza√ß√£o e o respeito ao desejo do doador.

Cada doador pode ajudar salva até oito vidas

"Pelas leis do Brasil, n√£o temos como garantir efetivamente a vontade do doador. No entanto, observamos que, quando a família tem conhecimento do desejo de doar do parente com diagnóstico de morte encef√°lica, esse desejo é respeitado. Por isso, a informa√ß√£o, a conscientiza√ß√£o e o di√°logo s√£o absolutamente fundamentais, essenciais e necess√°rios", pontuou a coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos.

A assistente social do HGE, Ana Cl√°udia de Jesus, explica que a proposta para a doa√ß√£o de órg√£o só existe após a conclus√£o de todo o Protocolo de Morte Encef√°lica, que é realizado por uma equipe multidisciplinar e composto pela repeti√ß√£o de v√°rios exames. Quando é identificado um potencial doador, uma equipe multidisciplinar, liderada pela Organiza√ß√£o de Procura de Órg√£os (OPO), realiza o acolhimento dos familiares para a defini√ß√£o da decis√£o.

"Quando h√° a doa√ß√£o, os órg√£os s√£o retirados por meio de procedimento cirúrgico que preserva o corpo do doador. Participam do momento v√°rios profissionais, observados pela Central de Transplantes, que é ligada ao Sistema Nacional de Transplantes e também respons√°vel pela fila de doadores no Estado. A doa√ß√£o pode ser de rim, fígado, cora√ß√£o, p√Ęncreas, pulm√£o, córnea, pele, ossos, v√°lvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cord√£o umbilical", acrescentou Daniela Ramos.

Daniela Ramos ressalta que cada potencial doador deve comunicar à sua família sobre o desejo de doar órg√£os

Professor segue a vida após receber o transplante de fígado
O professor universit√°rio aposentado José Milson de Melo Lopes, de 68 anos, participou do momento promovido no HGE. Casado, pai de seis filhos e feliz com cinco netos, ele conta que precisou de transplante de fígado aos 60 anos devido às consequ√™ncias de uma cirrose hep√°tica. Na verdade, aos 14 anos, ele j√° precisou retirar o ba√ßo por ter adquirido esquistossomose, mas, lamentavelmente, vacilou nos cuidados preventivos contra outras doen√ßas.

"Eu n√£o ia regularmente ao médico. Trabalhava muito, dava aula em v√°rias faculdades. Também achava que n√£o precisava ir ao médico, pois n√£o sentia nada de ruim. Sendo que a minha esposa praticamente me obrigou a ir e, após a realiza√ß√£o dos exames, fui informado que o meu fígado n√£o estava legal, que precisava de um novo, de um transplante. Nessa hora, o meu mundo caiu", recordou o patriarca.

A√ß√£o em homenagem ao Dia Nacional da Doa√ß√£o de Órg√£os foi marcada por música em homenagem aos doadores

Isso aconteceu no ano de 2013. Mediante esta notícia, José Milson decidiu ir à Recife e consultar outro especialista, que confirmou a necessidade do transplante e o inseriu na fila de espera por doa√ß√£o. Durante 11 meses, a ansiedade e um misto de outras emo√ß√Ķes dominaram a vida dele. Naquela época, o transplante de fígado ainda n√£o era feito em Alagoas, diferente de agora.

"Hoje eu estou ótimo! Ainda precisei desobstruir uma veia, devo seguir com alguns cuidados porque também n√£o tenho o meu sistema imunológico muito fortalecido, mas ganhei a oportunidade de poder viver. E é por isso que aceitei o convite de participar desta a√ß√£o, para que mais pessoas compreendam a import√Ęncia de um transplante e o impacto positivo que pode ser alcan√ßado em tantas vidas", argumentou o pai de família.

Fonte: saude.al.gov.br

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